A leveza da cidade de São Paulo

4 07 2011

Num fim de semana dito “normal”, ou seja, aquele que não há algum evento ou feriado programado, decidi sair do óbvio, pegar a “contramão” e seguir em direção à São Paulo, capital dos negócios e das badalações. Confesso que sair de Salvador – cidade que, mesmo chovendo, não faz frio – e ir para a capital paulista enfrentar sete graus à noite não é para qualquer baiano que está acostumado com a temperatura elevada mesmo no inverno.

Um passeio pelo centro de São Paulo no sábado começou o meu roteiro. A Praça da República, o Teatro Municipal, o Viaduto do Chá, a Igreja da Sé, o Pátio do Colégio dos Jesuítas, marco inicial da capital paulista, o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, o bairro da Liberdade e a Av. 25 de Março foram os locais visitados, num percurso com cerca de três quilômetros.

Embora nenhum sentimento tenha tomado o meu coração no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, com diz a música, confesso que neste local há um bar (Bar Brahma) cujo requinte é o que chama a atenção. Naquele intenso movimento de pessoas e veículos no centro de Sampa, sentar-se em uma mesa, pedir uma cerveja e apreciar todo aquele passa-passa de gente nos faz entender porquê a cidade é tão fascinante, pelo menos para passar uma temporada ou somente alguns dias.

Em meio aos prédios mais altos do país, as ruas com seu movimento intenso, digna de ser observada, de longe, sem compromisso, somente no intuito de perceber um pedaço de São Paulo, pode até ser um programa chato para quem ao está acostumado, mas interessante para quem aprecia o comportamento das pessoas, principalmente aquelas que vivem com o stress do dia a dia. Isso foi o que mais me fascinou no passeio pelo centro de São Paulo, não desmerecendo os prédios antigos e as atrações da cidade.

No domingo durante o dia, um passeio de bicicleta pelo Parque do Ibirapuera é a atração de uma manhã ensolarada, mas com frio. Coloquei o casaco e segui em direção a um dos lugares mais lindos da capital paulista, em minha opinião. Em meio à “Selva de Pedra”, enfim um lugar onde o canto dos pássaros e o ar puro podem ser desfrutados.  Pela amplitude do Parque, podemos passar horas dando voltas observando que menos tem em Sampa: a natureza. E lá passei o restante do dia, sem perceber que as horas haviam passado.

Deixando de lado os programas mais tranquilos, decidi ir à um samba que acontece todo domingo à noite no bairro da República, tradicional bairro do centro de São Paulo, por indicação e um amigo, que me acompanhou. Lá, o samba carioca domina, com suas letras românticas e aquele gingado do partido alto. O samba começa sempre às 20h e nunca passa das 0h. Uma ótima opção para quem vive ou passa por São Paulo e quer encerrar o fim de semana com chave de ouro.

Meu voo estava marcado para as 17h da segunda-feira. Vacinado contra perda de viagens, pois já passei por situações inusitadas com isso, fiquei da janela do hotel observando, mais uma vez, o vai e vem das pessoas em pleno início da semana até chegar o horário de ir. Cheguei ao aeroporto, fiz o check-in, entrei na aeronave. E, em meio àquelas nuvens cinzentas, deixei para trás uma cidade que aprendi a gostar, não por suas badalações, que lhe é peculiar, mas pela leveza que podemos encontrar no dia a dia da maior metrópole do Brasil e pouco observada por quem vê São Paulo apenas para trabalhar e/ou curtir, como eu via anteriormente.


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