A imprensa diz, desdiz e vira urubu
Por Igor Leonardo em 8/9/2009
Há alguns dias, milhões de brasileiros ficaram perplexos com as imagens da professora baiana dançando “Todo Enfiado”. Após a postagem do vídeo no site YouTube, uma emissora de televisão de Salvador divulgou maciçamente este “primoroso feito”, o que fez o fato repercutir no âmbito nacional, tomando um enorme tempo de um programa de TV transmitido para todo o Brasil da mesma emissora a que a TV baiana é afiliada.
Passada a grande repercussão, vários outros fatos e especulações: a professora perdeu o emprego; a banda “O Troco”, detentora da música, ganhou fama e a protagonista da história está tentando tirar proveito de tudo isso. Seja seguindo carreira de dançarina sensual – e isso ela faz muito bem –, seja posando para uma revista masculina do jeito que veio ao mundo, como ela mesma admite já ter recebido o convite.
Com toda essa história, as especulações em torno da real cultura baiana começou a (re)surgir na imprensa nacional. Algumas pessoas, inclusive, resumiram a cultura baiana a esses tipos de eventos em que a mulher é vista de maneira promíscua e sem conteúdo.
Palavras nãovoltam atrás
Mas o que dizer de Jorge Amado, com seus romances admirados em várias partes do mundo? O que dizer de Raul Seixas, com a sua “Sociedade Alternativa”? O que dizer de Castro Alves? O que dizer de tantos nomes memoráveis da cultura que aqui viveram e ainda vivem? O que dizer da importância da Bahia para a história do Brasil? O que dizer do samba de roda e de tantas manifestações culturais carinhosamente preservadas pelo povo baiano?
Agora, não adianta a mesma emissora de TV que começou tudo isso, que “colocou lenha na fogueira”, tentar “apagar o fogo com assopro”, o que é quase impossível. Foi essa a impressão que ficou após um apresentador, radialista e comentarista defender, no jornal local soteropolitano, com unhas e dentes, a mulher baiana e a cultura que permeia esse estado. Por que, ao produzir esses tipos de reportagens, não se pensa nas questões éticas do jornalismo e no direito à privacidade do indivíduo, à preservação da imagem que a Constituição brasileira assegura?
O que fica, pelo menos para quem costuma pensar nestas coisas, é a impressão de que a imprensa faz e desfaz, mas que, antes de fazer, pensa primeiramente na audiência e no sensacionalismo dos fatos. Já passou da hora de fazer a diferença! De nada vale sensacionalizar o fato e tentar mostrar que a real intenção não foi esta. O que disse, já foi dito. Palavras não voltam atrás.
Digerindo “carniça”
Atitudes deste tipo fazem com que a credibilidade da imprensa regional diminua cada vez mais, fortalecendo, inclusive, de permeio o discurso dos que são contra a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Tantos problemas rondando a cidade, mas os veículos (nem todos) insistem em praticar o sensacionalismo e fazer dele o seu principal norteador. Fatos irrisórios como este, veiculados na grande imprensa, apenas reforçam o desgaste dos profissionais que trabalham para fazer um jornalismo sério e de qualidade. É preciso, acima de tudo, repensar o real papel da imprensa na sociedade.
Quanto à professora, cabe agora tirar proveito da situação e se esforçar para mostrar a verdadeira identidade da mulher e da cultura baiana. Já a imprensa… Ah, imprensa! Se continuar digerindo estas “carniças”, pode amanhecer, um dia, na mente das pessoas, confundida com um urubu.
Há alguns dias, milhões de brasileiros ficaram perplexos com as imagens da professora baiana dançando “Todo Enfiado”. Após a postagem do vídeo no site YouTube, uma emissora de televisão de Salvador divulgou maciçamente este “primoroso feito”, o que fez o fato repercutir no âmbito nacional, tomando um enorme tempo de um programa de TV transmitido para todo o Brasil da mesma emissora a que a TV baiana é afiliada.
Passada a grande repercussão, vários outros fatos e especulações: a professora perdeu o emprego; a banda “O Troco”, detentora da música, ganhou fama e a protagonista da história está tentando tirar proveito de tudo isso. Seja seguindo carreira de dançarina sensual – e isso ela faz muito bem –, seja posando para uma revista masculina do jeito que veio ao mundo, como ela mesma admite já ter recebido o convite.
Com toda essa história, as especulações em torno da real cultura baiana começou a (re)surgir na imprensa nacional. Algumas pessoas, inclusive, resumiram a cultura baiana a esses tipos de eventos em que a mulher é vista de maneira promíscua e sem conteúdo. Leia o resto deste post »